sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Maria.

Ela limpa a maquilhagem dos olhos, enquanto as lágrimas lhe caem pela face, pingando no chão, como se de chuva se tratasse. 
Deita-se na cama luxuosa, enrolada na sua camisa de noite de seda. Pega cuidadosamente no copo de vinho tinto em cima da mesinha de cabeceira e olha para ele, vazia. As lágrimas caem dentro do copo, misturando-se com esse néctar fatal.  De uma só vez ingere o líquido todo. Se é para morrer, que seja depressa!
Olha para o seu lado esquerdo, passando as mãos pelos lençóis perfeitamente engomados, a almofada perfeitamente ajeitada. Tudo perfeito. Pena que não tivesse ninguém para partilhar. Morria todos os dias um pouco por dentro (e por fora também).  Ela tinha sido abandonada, qual lobo solitário, na sua própria festa. Tinha acabado com os sonhos de alguém, para que os seus também acabassem por consequência.
Agora, dedicava-se a preencher a sua vida, com este e com aquele, sempre em modo porcelana, com cuidado para não partir mais... Enchia o seu corpo de álcool e de outras drogas e a sua alma, incompleta... Aliás, tinha-a perdido à muito, só não se tinha apercebido, até aqui.
O seu olhar vazio divaga agora pelas quatro paredes do quarto que a separam de um mundo ainda mais vazio que ela. Perdeu toda vontade de sonhar. Para quê? É indiferente... 

"Estala, coração de vidro pintado!"

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